Tentar, tentar e tentar
Nada melhor do que um reencontro. Aqui estamos nós de novo e pela terceira vez, reunidos no picadeiro para trabalhar com a cabeça, com o corpo. Mostrar nossa arte, trocar informações, buscar idéias de como nos transformar em atores do nosso destino, de como atuar para interferir na nossa realidade. E estamos aqui novamente conjugando o verbo tentar, um verbo essencial ao mundo do circo. Tentar de novo até acertar, até atingir aquele ponto em que vale a pena pagar pra ver, aquele ponto em que a realidade se torna espetáculo. E 22 anos depois do primeiro encontro, lá em 1986, quando os sonhos ainda eram muitos e a realidade ainda mais dura, estamos juntos outra vez, agora pelo segundo ano consecutivo, uma bela retomada.
Os sonhos continuam, a realidade ainda é hostil, mas no retrovisor vemos conquistas. Mesmo que de forma ainda incipiente, o Estado passou a enxergar o circo. Já temos interlocução com o governo federal, com o governo estadual e com as prefeituras. E para que este diálogo se tornasse mais produtivo e aberto criamos há pouco mais de um ano a Cooperativa de Circenses da Bahia. Realizamos encontros em cidades do interior e estamos aqui mais uma vez buscando amarrar as pontas destes contatos, costurar estas relações que nos tornam mais fortes. Somos mais de 30 circos reunidos sob uma lona, juntos e fortes para não deixar a peteca, a garrafa, o prato, a maça, o diabolô, o arco, … o outro cair. Viva o circo!